Rádio Eldorado de Codó

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Ação apura superfaturamento e fraude em contratos de órgãos do governo com sites e blogs

Documentos apreendidos 

Polícia Civil cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Hidrolândia. Segundo delegado, irregularidades começaram a acontecer em 2013.


Uma operação da Polícia Civil está investigando a existência de fraudes e superfaturamentos de contratos entre a Agência Brasil Central (ABC), o Departamento de Trânsito de Goiás (Detran) e sites e blogs de Goiás. O prejuízo causado é estimado em R$ 2 milhões.

Os 17 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Hidrolândia. Só no Detran foram apreendidos 500 processos. Ao todo, 10 pessoas foram ouvidas na Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra a Administração Pública até a última atualização desta reportagem.

Na Assembleia Legislativa de Goiás, os agentes recolheram documentos na Diretoria de Comunicação que podem ter conexão com a apuração da polícia. Em nota, o Legislativo informou que "não tem relação alguma com a Operação Sofismas, da Polícia Civil, que realizou busca e apreensão em vários órgãos públicos e domicílios dos investigados, como na sala do Diretor de Comunicação deste Poder".

A nota segue dizendo que "a operação em curso investiga diversos profissionais ligados à área de comunicação, como um servidor da Casa, por trabalhos realizados em 2014, período anterior à sua posse como diretor na Assembleia Legislativa, não tendo ligação alguma com seu atual posto".

As investigações começaram em abril de 2019, após um pedido do Ministério Público, que abriu uma ação civil pública para apurar improbidades administrativas. Segundo o delegado responsável pelo caso, Alexandre Otaviano Nogueira, as fraudes aconteceram entre 2013 e 2017.

A Assessoria de Comunicação do ex-governador Marconi Perillo, que estava à frente do governo no período investigado pela polícia, disse que as contratações dos espaços publicitários nesses veículos foram realizadas absolutamente de acordo com a legislação e respaldadas em licitação. "As agências tinham autonomia para, com base em audiência e público, definir a veiculação das campanhas de prestação de contas do governo", informa a assessoria.

O delegado explicou que o Detran e a extinta Agencia Goiânia de Comunicação (Agecom), atual ABC, fizeram uma licitação naquele ano para contratar agências de comunicação responsáveis por divulgar campanhas de órgãos do governo.

“Foram dez agências. Elas é que eram responsáveis por contratar os sites e blogs para veiculação dessas mídias. Mas essa escolha estava sendo direcionada a pedido dos então gerentes das empresas estatais investigadas”, disse o delegado.

Uma das situações que chamou a atenção dos delegados foi o alcance dos sites que recebiam valores altos pela veiculação das campanhas.

“Sites e blogs pequenos, com um número de acesso muito inferior a grandes veículos, que tinham mais visibilidade para prestar o serviço público, recebiam um valor muito maior”, completou o delegado.

As investigações ainda estão em andamento, mas os investigados podem responder por peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e associação criminosa.


O outro lado


Em nota, a ABC informou que apoia e colabora com as investigações e destaca que os contratos foram firmados em gestões anteriores.

O Detran-GO também alegou, em nota, que a "ação investiga antigos contratos de mídia com suspeita de superfaturamento firmados em gestões anteriores" do governo.

O G1 entrou em contato por email com as assessorias de imprensa do governo estadual pedindo um posicionamento sobre a operação às 10h05 e aguarda retorno.

A reportagem também pediu um posicionamento à assessoria de Marconi Perillo, governador à época dos contratos, e aguarda retorno.

Por Vitor Santana, G1 GO

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