Rádio Eldorado de Codó

domingo, 17 de maio de 2020

Medo x Esperança


A pandemia do novo corona vírus tem despertado nas pessoas inúmeros sentimentos e atitudes. Algumas simplesmente tem ignorado qualquer orientação das autoridades sanitárias se expondo perigosamente ao contágio e com isso contaminando outras pessoas.

Entretanto, felizmente, a maioria entendeu a importância do isolamento social como forma de reduzir a propagação mais rápida da doença para permitir que a rede pública possa ser ampliada evitando um mal maior, já que infelizmente, o colapso é inevitável e já bate as portas dos hospitais das grandes metrópoles. Pessoas estão morrendo por falta de leitos de UTI.

A pandemia já provoca claramente um corte de classe. A maioria de mortes são de pessoas pobres e desassistidas pela incapacidade da rede de saúde pública, provocada também pela falta de ações coordenadas por todas as esferas de poder: municipal, estadual e federal. Há centenas de leitos vagos nos hospitais federais. Isso é de uma incompetência tão extrema que é quase inacreditável, pois trata-se de vidas humanas que estão sendo perdidas.

O caso é mais grave, portanto, na esfera federal, pois temos um ministro inoperante que nos dá a sensação de estar completamente perdido e por um presidente que além de não liderar o processo como deveria ser o seu papel, a exemplo de outros líderes internacionais, debocha diariamente da pandemia e vive envolvido com crises políticas que ele mesmo cria.

A quarentena fez crescer os casos de depressão e ansiedade, dada a dificuldade de muitos em lidar com o medo em relação a si próprios e aos seus entes queridos. O sentimento de medo permeia em todos os sentidos, até mesmo o medo da subsistência daqueles que ficaram sem renda com a consequente crise econômica que veio a reboque.

O medo precisa ser encarado neste momento de grande tensão como um processo normal. Na lógica aristotélica o medo funciona como forma de prudência. Quem não tem medo, perde a cautela, não tem empatia e se expõe de forma irresponsável ao perigo que pode atingir quem não se cuida e atingir também os demais membros da “pólis” ou da nossa sociedade.

Precisamos tentar controlá-lo por nossos próprios meios emocionais e psicológicos, ou caso se torne mais difícil, recorrer a ajuda de profissionais especializados. A família também pode dar suporte e ajudar. A solidariedade é fundamental e cresce muito nestes momentos difíceis.

Um outro sentimento que precisa ser valorizado é a esperança, apesar das incertezas do que acontecerá mais a frente. Ela sempre é maior quando atravessamos graves crises e serve de alento para que possamos esperar dias melhores.

Precisamos “regá-la e cultivá-la”. Ela combate o medo e projeta no nosso subconsciente que além de nós tem pessoas trabalhando diariamente para construir alternativas científicas que vão dar respostas a pandemia e a crise na economia, razões maiores deste medo neste trágico momento.Vamos compartilhar com o próximo a ajuda possível, seja ela econômica ou afetiva. Vejo várias atitudes positivas tomadas pela sociedade civil neste sentido.

O que lamentamos é que o poder público, agindo de forma tão descoordenada não está tomado as providências em seu tempo certo. Tem muita coisa em atraso, tanto na assistência social quanto principalmente na assistência médica hospitalar. Tudo isso precisa de urgente correção. O vírus não respeita fronteiras, ideologias e muito menos vaidades pessoais.

Nosso papel, além de ajudar o próximo, é cobrar firmemente das autoridades estabelecidas que cumpram o seu, caso contrário viveremos no país uma tragédia social sem precedentes. Se vossas excelências não se unirem para uma ação integrada, urgente e propositiva a história certamente os vãos cobrar e o preço humanitário e político a pagar será extremamente alto.

Eles que não esqueçam que este ano tem eleições municipais e respostas a falta de ações destes agentes públicos certamente serão dadas no momento devido. Sigamos em frente e apesar de tudo tenhamos esperança !! “Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer. ”

Por : Claudio Leitão é economista, professor de história.

Nenhum comentário:

Postar um comentário